Beginnig of a new phase of life

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Anonymous se divide no Brasil para manter a Ideia

Nos últimos dois meses vem acontecendo, no interior e entre os diversos grupos ou células que compõem o Anonymous no Brasil diversas disputas. Estas disputas se devem a divergências entre seus integrantes.
Os Anonymous
O maior grupo, pelo menos no Facebook, é o Anonymous Br4sil, cuja fan page tem mais de 1.100.000 curtidas.
Outra célula muito expressiva e ativa é o Anonymous Rio. que tem uma atuação junto aos movimentos sociais cariocas.
Uma terceira célula, saída do interior do Anonymous Br4sil é a FUEL – Frente Unificadora de Emancipação e Libertação Nacional, que se destaca por buscar construir um perfil mais ideológico para os diversos grupos Anonymous no país.
Também são expressivas as fan pages Anonimos BR e Anonymous Brasil, ambas com um perfil definido de oposição ao governo Dilma e ao PT.
As células Anonymous buscam, sempre que possível – e quase sempre é possível – trabalhar em conjunto. Afinal, o lema usado por eles é “unidos como um, dividido por zero”.
A Revolução Digital e a Revolta dos Coxinhas
Entretanto, nos últimos dois meses temos presenciado no Brasil intensas e imensas manifestações, verdadeiros levantes populares. Na minha opinião, isso é mais uma consequência da Revolução Digital, que assim como teve e segue tendo desdobramentos em várias áreas – indústria do entretenimento (música, cinema, jogos), mercado de publicações impressas, nas comunicações de modo geral, e teremos ainda mais consequências quando as impressoras 3D se popularizarem – também está tendo desdobramentos na política.
Hoje, as pessoas estão tendo acesso a muitas informações, o tempo todo. Mesmo quando não querem! Um exemplo é o Facebook, onde a todo instante algo é publicado, compartilhado, eventos criados, causas espalhadas. Com essa quantidade de informação disponível, hoje ficamos sabendo dos fatos logo que eles ocorrem. Informações sobre editais fraudulentos, agressões físicas às ditas minorias, absurdos realizados por agentes de governos, escândalos políticos, tudo isso, junto, claro, com muitas bobagens e memes, se espalha na velocidade da internet.
Por isso, não foi difícil para milhares, milhões de brasileiros e brasileiras, em todos os estados, em centenas de cidades, se “organizarem” e saírem às ruas querendo que as coisas melhorem. Pessoas que nunca haviam reivindicado saíram de sua acomodação e foram pra rua. Considero isso essencialmente um ato positivo!
Claro que nesse movimento gigantesco as pautas não são claras, nem poderiam, tamanha a diversidade presente. O estopim parece ter sido a questão dos reajustes das tarifas de ônibus em várias cidades. Mas esse foi apenas o estopim para outros clamores, alguns mais consensuais, outros nem tanto.
As esquerdas e as direitas tradicionais não captaram e não entenderam essas manifestações. Não entenderam até agora, eu diria. Elas ainda olham pra esse movimento com olhares do século passado. Não compreendem as redes, não compreendem as inúmeras ligações entre as pessoas, não entendem pessoas e causas conectadas. Separam o virtual do real – não compreendem que não existe essa separação.
Não entendem que a internet coloca as pessoas em contato direto, sem a necessidade de mediadores, e menos ainda dos mediadores tradicionais, como partidos e sindicatos.
As manifestações e os Anonymous
Logo nas primeiras duas manifestações pela redução da tarifa em São Paulo, ficou nítida a importante participação da internet e das fan pages Anonymous na mobilização e convocação.
Dos cinco sites que mais distribuíam informações e convocavam para os atos, além do site do Movimento Passe Livre ocupavam espaço central três fan pages Anonymous.
Nas manifestações seguintes o papel das páginas Anonymous foi ainda maior, praticamente se tornando as disseminadoras de informações sobre elas.
A célula Anonymous Rio também teve um papel protagonista nas manifestações por lá. Aliás, os anons Rio têm participação anterior à esta onda, tendo mobilizado e participado nas manifestações por ocasião da remoção da Aldeia Maracanã e seguem mobilizando em oposição ao governador Sérgio Cabral. Também já organizaram protestos em frente à sede da Rede Globo em mais de uma ocasião.
Práticas estranhas aos anons
Não é de agora que células anons dirigem uma série de críticas a outras células anons, principalmente à Anonymous Br4sil e Anonymous BR, que volta e meia publicam posts com conteúdos homofóbicos, preconceituosos e de tonalidades tucanas (PSDB). Há quem diga que essas células são “controladas” pela juventude do PSDB, e seriam ligadas a um senador tucano. Verdade ou mentira, logo saberemos, pois as eleições se aproximam e veremos como se comportarão.
O fato é que vários anons que divergiram da forma como as coisas estavam sendo encaminhadas na Anonymous Br4sil acabaram sendo excluídos do gerenciamento da fan page.
Os anons excluídos relatam uma prática centralizada, autoritária e atitudes auto-promocionais. Como é sabido, no Anonymous não se deve buscar notoriedade, “aparecer” ou qualquer tipo de crédito ou mérito. Se age por uma causa que beneficie a quem esteja sendo oprimido, seja por uma empresa, uma organização, um governo. Assim tem sido a história do Anonymous.
Leia aqui um texto muito esclarecedor sobre as divergências entre os anons brasileiros.
Os vídeos Anonymous
Como o Anonymous não tem porta-vozes, não tem uma cara, se tornou sujeito à ocorrência de manipulações, tanto pela esquerda quanto pela direita. Qual o critério para saber se um vídeo tem de fato alguma relação com o Anonymous? Só tem um jeito: você conhecer a história, conhecer a Ideia.
Desconfie de vídeos sensacionalistas. O sensacionalismo não é uma característica dos anons. Desconfie de vídeos com um discurso senso-comum. O Anonymous busca exatamente tirar as pessoas do senso-comum. Desconfie de vídeos com discurso igual ao do PSDB ou igual ao do PT. Anons fazem críticas a estes dois partidos e seus governos, pois o compromisso do Anonymous é com os fatos, com a verdade, não importando se vai com isso comprar inimizades com partido ou governo A ou B.
Um dos vídeos que circulou muito durante as manifestações foi o chamado “As 5 causas”, que teve sua autoria negada por grupos anons. Leia aqui o desmentido em outro vídeo do Anonymous.
Estaremos acompanhando a evolução dessa importante disputa de rumos entre os anons brasileiros, torcendo para que prevaleça a prática que, historicamente, esteve ao lado dos oprimidos, dos injustiçados, se levantando e realizando ações em defesa dos povos em luta na África e Oriente Médio, no Occupy Wall Street, ao lado de Assange e do WikiLeaks, nos protestos contra o SOPA, PIPA e ACTA.

Sobre a situação atual do Anonymous BR


Saudações, irmãos e irmãs!
Este texto é um pouco extenso, mas é essencial para que todos compreendam o que acontece atualmente em nosso país e porque precisamos do apoio de vocês.
Infelizmente, ao contrário do que propõe nosso ideal, “unidos como um e divididos por zero” tem sido uma realidade apenas em discurso. Muitos grupos estão fragmentados, muitas células ainda parecem competir por atenção do público ou para ter o maior número de curtidas. Isso não é apenas triste, isso é incoerente.
Quando decidimos compor a FUEL, foi numa perspectiva de aprofundar as pessoas na Ideia Anonymous e praticar um enfrentamento político e econômico que fuja do senso comum. Não acreditamos em quaisquer propostas rasas de “Fora Dilma” ou “Fora Alckmin”. Primeiro, porque o grande problema é o sistema corporativo por trás das figuras dos governantes. Você tira um, entra outro. E continua o jogo, a despeito de nossos esforços. E segundo, talvez mais importante, porque isso tem aberto margem para que muitos grupos peguem carona por trás de nossas máscaras em busca de interesses particulares.
Anonymous é apartidária. Isso não significa que somos contra os partidos, nem que devemos praticar medidas opressoras e ditatoriais como vaiar grupos e quebrar bandeiras, como tem ocorrido no país. Essa medida é injusta, e até ingrata. O Brasil pode estar acordando agora enquanto país, mas esses grupos já estavam em luta muito antes. Alguns deles, talvez, tenham sido indispensáveis no processo de construção da mobilização que vemos hoje.
Apartidário significa que não pertencemos a nenhum desses grupos, mas devemos estar unidos nesse momento, por um objetivo comum, que é reformar ou revolucionar toda a política desse país. Pensem, por favor, para além do raciocínio ingênuo. Não é por não levantar bandeiras que outros grupos não estão ali. É preciso ter foco, ou nosso discurso se torna vazio e reacionário, completamente oposto a toda a mobilização que vivemos.
Algumas mídias Anonymous eventualmente veiculam conteúdos machistas, racistas, homofóbicos e até mesmo fascistas. Isso é inadmissível. Essas pessoas não compreenderam a Ideia e não são nossos irmãos, pois aquele que se coloca ao lado do opressor não pode estar ao lado do oprimido.
É chegado o tempo de escolher de que lado estamos. Se estamos do lado do povo, estamos juntos. Independente de etnia, de sexo, de crença, de orientação política, de gênero ou orientação sexual ou qualquer caraterística individual que seja. Porque é essa diversidade que compõe o povo.
Mas aquele que oprime um irmão não está com o povo. Aquele que busca reconhecimento pessoal dentro desse tipo de situação não é Anonymous.
Nosso comprometimento não é com crescimento a todo custo. Se você é um opressor, você não é Anonymous. Pedimos que olhe no espelho e antes de lutar contra a injustiça que você sofre, mude de postura quanto à injustiça que você pratica. E só assim estaremos juntos de fato. Só assim seremos um.
Convidamos para o diálogo todos aqueles que nesse momento coordenam projetos Anonymous ou se colocam a organizar manifestações, para podermos dialogar e buscar consensos.
O trabalho da FUEL não é o de direcionar, tampouco liderar ninguém. Todas as mensagens que recebemos perguntado “e agora, contra o que iremos lutar?” são respondidas com a mesma pergunta. Nossa proposta é a de formação livre. O povo está nas ruas, mas precisa entender sua política.
Aos poucos, publicaremos conteúdos sobre política, sobre o governo, sobre economia, sobre consumo, sobre cidadania. Esperamos que todos ajudem a compartilhar essas informações e se dediquem mais a estudar. Cyberativismo não se faz compartilhando qualquer coisa e enchendo tudo de hashtags. Cyberativismo inclui dominar o assunto pelo qual se luta. E se você não quer ser massa de manobra da mídia, não seja massa de manobra de ninguém, porque líderes em potencial, querendo manipular pessoas, estão em todas as esferas, e isso inclui, infelizmente, a Anonymous.
Iniciamos um trabalho de autovigilância da Anonymous, primeiramente pela União, como diz nosso nome. Em segundo lugar, pela emancipação, para que todos formem a própria opinião e sejam seus próprios líderes. E por fim pela liberdade, que será nossa conquista final, a partir da qual nascerá uma nova sociedade.
Por isso estamos incomodando. Por isso fomos atacados e nosso grupo está fora do ar. Por isso algumas pessoas com “grandes” páginas estão iniciando um processo de mentiras. Pedimos paciência a todos enquanto nos organizamos fora do Facebook. Esse espaço é excelente para divulgações, mas horrível para organização. E convidamos a todos para esse processo de amadurecimento, porque estamos sendo vigiados e podemos sair do ar a qualquer momento. E se dependermos do Facebook, nossa mobilização será fraca e vulnerável, mais do que já é.
Aqueles que estão conosco, por favor, ajudem a compartilhar. Em breve, novas notas.
Publicamos para quem não tem preguiça de ler e se informar. Parabéns se você chegou até aqui. Pessoas que querem informação rápida e rasa estão na contramão da revolução que vivemos.
Curtam nossa página e mantenham-se próximos, os que concordarem com essa perspectiva. Faremos versões para comunicação com Anonymous e outros movimentos sociais no exterior em breve. E em poucos dias começaremos a compor nossa biblioteca digital livre.
União, Emancipação e Libertação!
Nós somos Anonymous.
Nós somos FUEL.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Podemos sempre encontrar motivo para brigar com os outros. Ou podemos optar por aceitar o outro ponto de vista, mesmo que ele não seja, necessariamente, o correto para nós. Seja seletivo em suas batalhas. Às vezes, a paz é melhor do que estar certo.

Yehuda Berg


https://www.facebook.com/pages/Miscel%C3%A2nea/157842324278388 
Eu prefiro as pessoas que conseguem ver o lado claro das coisas mesmo que todo dia anoiteça.
Gente que se abala com os fatos sim, mas que não quer derrubar a estrutura do outro só pra vê-lo no mesmo nível em que estão. Com o tempo a gente aprende que todos têm o ônus e o bônus, mas poucos conseguem carregar dores e doçuras sem despejar em ninguém suas amarguras.
Eu ainda acredito mais em sonhadores incuráveis do que em caçadores de mágoas.~

Fernanda Gaona