vimos um vídeo do programa “Britains got talent” (o equivalente ao programa “Ídolos”) e que está bombando na Internet. O vídeo que tinha 4 milhões de page views no Youtube já atingiu a marca de 100 milhões de visualizações!
A moça, coitada, já até recebeu proposta de empresa de filme pornô para fazer um filme, uma vez que se especula que ela é virgem e nunca beijou um homem sequer na boca. Vê-se rapidamente como existem pessoas que estão espreitando para pegar carona na busca do dinheiro e do sucesso.
Enfim, tirando essas coisas, o que esse vídeo nos ensina de verdade?
As pessoas gostam de ver vídeos assim porque é uma prova cabal de que SER é mais importante que TER. Elas vibram com isso porque se sentem na pele dela, é como uma de nós, venceu. Se você perguntar para alguém porque gostou do vídeo, a pessoa vai responder: “gostei porque ela era feia, ninguém deu bola pra ela e ela foi lá e arrasou!” A história dela traz à tona uma mensagem embutida que nem todo mundo percebe. Essa história se repete desde a Grécia antiga até os tempos medievais, onde ficou com a cara mais ou menos de hoje. A Susan Boyle é a mais nova Cinderela do pedaço. A palavra Cinderela é sinônimo daqueles que tem atributos ou características não reconhecidas que atingem de forma inesperada reconhecimento ou sucesso após um período de obscuridade. Essa história nos ensina muitas coisas. Mostra-nos como menosprezamos os melhores talentos dos nossos filhos porque queremos que eles estudem nas escolas mais caras e fortes para serem médicos, engenheiros, advogados famosos, cheios de dinheiro. Ensina-nos que é melhor fazer aquilo que nascemos pra fazer (nosso dharma, em vez de karma) em vez do que ter grana. Mostra-nos com a sutileza de um tapa de pelica que não corremos atrás do nosso próprio sonho. Essa história nos ensina que é preciso voltar a sonhar, voltar a ter coragem, a arriscar. Na prática, a Susan Boyle teve coragem de arriscar e correu atrás do seu sonho. Acaba que as pessoas vibram porque é como se elas estivessem realizando o próprio sonho. Nós esquecemos que temos talentos e dons e não os colocamos em ação. Nós não tiramos da cabeça e o colocamos no coração por causa do medo e do julgamento exterior. Ficamos no nosso dia-a-dia com medos e poderemos justificar o nosso fracasso pessoal e nossa mediocridade individual como sendo inevitáveis – são o nosso destino. “Não preciso melhorar, a culpa não é minha: a culpa é do Lula, é de todo mundo”. Meu professor na pós falava muito isso: nós temos mania de dizer que o “inferno são os outros”. Susan mostrou que é possível. De algum jeito o seu sucesso incomoda, porque obrigará as pessoas a se mexerem e a se auto-avaliarem. Incomoda porque, se temos tudo para dar certo e não damos, muito provavelmente alguém está errado: nós mesmos.
E, o mais interessante de tudo é que ela foi jugada por 3 experts em música. Por nossa vez, seremos julgados pela nossa própria consciência, que é a presença divina em nós. Pobre de quem teve medo de correr os riscos. “Talvez nunca nos decepcionemos, nem tenhamos desilusões, nem soframos como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olharmos para trás – porque sempre olhamos para trás – escutaremos o coração dizendo: “o que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste tua vida”.
Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado.

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