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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

WIKILEAKS: A REAL DEFESA DA LIBERDADE ou "E SE ASSANGE FOSSE CUBANO OU BRASILEIRO?"


Antes que perguntem (e, sim, sempre perguntam): SOU TOTALMENTE FAVORÁVEL AO WIKILEAKS. Não relativizo nem entro nos "poréns". A existência de um canal de divulgação poderoso como esse é, para mim, algo fundamental e inequivocamente importante. Se alguém é a favor da liberdade não pode, ao mesmo tempo, ser contra o "Wikileaks".

Daí a "LIBERDADE" ser a chave de tudo, pois no caso em tela tratamos daquela referente ao acesso às informações - especificamente referentes a um país; vários deles de natureza pública (alguns dirão que há segurança nacional em jogo, mas o passo é largo e a distância é longa, pois não vazaram nada que prejudicasse efetivamente a SEGURANÇA dos Estados Unidos).

É curioso (ou lamentavelmente sintomático) notar a excitação de uns e outros quanto ao "Wikileaks", justamente aqueles que apóiam abertamente ou de forma covarde se omitem diante de diversos casos de supressão da liberdade de informação (ou outras Liberdades igualmente importantes). Inevitável, portanto, falar de Cuba (embora parcela dos defensores da ditadura daquele país tente impedir que se discuta isso, criando quase uma espécie de "lei de Godwin" como se não fosse ridículo e deplorável defender uma ditadura, mas sim citar a imbecilidade de quem a apóia).

Não consigo ver qualquer vestígio de coerência e lógica em alguém que apóie a divulgação de dados do Wikileaks, mas, ao mesmo tempo, seja a favor da existência de APENAS IMPRENSA OFICIAL em Cuba (e apenas um partido político, vale lembrar). Rugem como leõezinhos por Assange, mas silenciam como coelhinhos quando qualquer uma de suas ditaduras de estimação surge no debate. Sim, no plural - e agora até mesmo o IRÃ entrou na roda (recentemente, comemoraram a FALSA LIBERTAÇÃO de Sakineh - até então estavam quietos diante de sua pena de morte, passam o PAPELÃO de comemorar uma notícia mentirosa, mas rapidamente voltam ao silêncio obsequioso de quem se vê forçado a fazer vista-grossa a uma ditadura que apedreja mulheres pelo "crime de infidelidade").

Tudo isso por quê? Porque (em termos absolutos): não são a favor da liberdade, não apóiam causa alguma, estão pouco se lixando para tudo isso. PRIMEIRO vem o partido (sim, aquele), depois coisinhas de somenos importância como Princípios do Estado Democrático de Direito e bases correlatas. É sempre assim.

Basta imaginar a hipótese de um Assange cubano ou venezuelano. Falariam em "agente da CIA", decerto. E mesmo se apreendem FISICAMENTE os dados - como fizeram com aqueles computadores das FARC -, mulatantes não terão qualquer problema em aduzir que quaisquer dados teriam sido colocados no HD por "hackers". Nesses casos, eles são contra os "assanges", querem mais é que a liberdade de informação se exploda.

Exemplo recente e caseiro? Sigilo dos cartões corporativos. Não se trata aqui de uma divulgação ilegal, mas sim de um PODER DA REPÚBLICA (no caso, o Legislativo) que pretendia abrir os gastos da Presidência com tais cartões. Qual foi a manobra do governo? Evitar tal abertura. Qual a reação de muitos que hoje apóiam a divulgação do "WikiLeaks"? Aplaudiram o governo, ficaram em silêncio ou até mesmo acharam bacana a feitura daquele dossiê na Casa-Civil - pela agora demitida e investigada ex-Ministra (então apenas secretária da ora eleita Presidente).

Assim, Assange não seria defendido por esses bananas nem mesmo se fosse brasileiro, caso cometesse a petulância de vazar os gastos da Presidência da República com cartões corporativos. Mas também poderia divulgar detalhes do Mensalão, dizer de onde veio a grana dos Aloprados, falar o que houve no Caso Celso Daniel, entre outras coisas.

Eu continuaria apoiando o "Wikileaks". Mas talvez houvesse deserções no exército, porque o Partido vem sempre antes da causa.

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