Geralmente eu almoço todos os dias sozinha. Quando comecei a trabalhar nesse lugar eu almoçava com os colegas do meu setor. Saíamos juntos, íamos sempre ao mesmo lugar e todos almoçavam mudos, sem assunto ou muita conversa. Aí decidi que eu ia começar a experimentar outros lugares, andar mais e resolvi começar a almoçar sozinha. Já que era para ficar quieta pelo menos não me sentiria constrangida a conversar com pessoas com as quais não tenho assunto e poderia ficar mais a vontade para ir onde quisesse. E assim fiz.
Ontem eu saí para almoçar e estava caminhando triste e fechada em meus problemas. Pensando na vida, em coisas que precisam mudar e em porque existem certas dificuldades pelo caminho. Estava até sem fome mas fui ao lugar habitual. Chegando lá fui abordada por uma moça grávida.
Ela pediu que eu pagasse a ela um prato de comida. Disse que seus bebês (pois está grávida de gêmeos) estavam reclamando de fome. Na hora segui minha intuição, mandei que ela me acompanhasse. Escolhi um lugar, pedi que fizesse seu prato e ela sorria enquanto pegava comida. Paguei e nos sentamos juntas. Aquilo me tocou tanto que eu me fechei em mim mesma e comecei a fazer diversas reflexões sobre a vida tanto que posso até ter parecido antipática. Eu tenho problemas para resolver sim, tenho dificuldades e medos com os quais lidar mas ao menos nunca me faltou o que comer. Levo sempre umas besteirinhas pra comer durante o trabalho, se tenho fome paro em algum lugar e como algo mas nunca me faltou comida.
Conversamos um pouco. Eu não quis ser invasiva, não quis ficar perguntando demais mas agi naturalmente. Ela comeu quase tudo enquanto me contava um pouco de sua vida. Tinha uma outra filha, estava grávida, desempregada e em situação difícil. E eu me senti pequena naquele momento, pensando em como a vida muitas vezes nos ensina das formas mais difíceis. Eu caminhava tão presa em meu mundo e até sem fome enquanto outras pessoas por aí estão em situação muito pior, muito mais grave e complicada que a minha e nem por isso abaixam a cabeça. E eu quantas vezes chorei e me desesperei com meus problemas? Quantas vezes reclamei de barriga cheia? Quantas vezes achei que algumas coisas fossem o fim do mundo? Sempre tive muitas oportunidades, estudei, me formei, trabalho e tenho uma vidinha boa. Não posso reclamar de nada.
Ingrata, foi assim que me senti. Culpada, por não ser tão forte para lidar com minhas dores e problemas em tantas ocasiões. Terminamos de almoçar. Eu fiquei até o fim fazendo companhia a ela. Seria cômodo pagar e sentar sozinha ou comer e sair correndo (assim não precisaria me envolver) mas algo me dizia para não fazer isso. E foi aí que aprendi algo. No prato dela sobraram poucos restos. Restos que não formariam outra refeição ou que não matariam a fome de ninguém. Ela pediu que o garçom embrulhasse para viagem. Eu fiquei surpresa, o moço também ficou com o pedido estranho mas o encarei seriamente desde o momento em que levou o prato até a hora que voltou. Não queria que ele debochasse da situação da moça e dava para sentir certos olhares preconceituosos mas por dentro eu segurava minha enorme vontade de chorar. O que eu consideraria restos ela ainda considerava uma refeição tal a sua carência por comida.
Nos despedimos, ela agradeceu muito. E cada uma foi para seu lado. Assim que virei as costas, desabei a chorar. Voltei caminhando para o trabalho mas chorando. Porque a vida tem que ser assim? Porque eu reclamo tanto? Porque as coisas às vezes parecem tão dificeis? Porque a vida é tão cruel com algumas pessoas. Fiquei com pena da moça. Cheguei no trabalho com os olhos vermelhos mas e daí? Como contar para alguém ou explicar o que tinha acontecido? Entenderiam a profundidade ou me achariam louca? Eu sei que naquele momento de choque entre realidades tão diferentes eu levei um tapa na cara da vida. Um tapa dizendo: Acorda! Você é feliz! Enxergue as dores alheias! Valorize o que tem!
Ainda chorei ao longo do dia e durante a noite. Sequer sei o nome dela mas ontem almocei com uma desconhecida. E no fim, quem ajudou quem?
Obs.1: Segui o coração naquele momento e ainda lembro do sorriso dela. Se tivesse me pedido dinheiro eu teria negado.
Obs.2: Estou devendo visitas mas em breve passo no cantinho de vocês!
Obs.3: É apenas uma história que aconteceu comigo. Não estou aqui para falar: olha só como sou boazinha! Ainda tenho muito a caminhar e consertar dentro de mim. Muito mesmo!
http://desabafandoesonhando.blogspot.com/
Ontem eu saí para almoçar e estava caminhando triste e fechada em meus problemas. Pensando na vida, em coisas que precisam mudar e em porque existem certas dificuldades pelo caminho. Estava até sem fome mas fui ao lugar habitual. Chegando lá fui abordada por uma moça grávida.
Ela pediu que eu pagasse a ela um prato de comida. Disse que seus bebês (pois está grávida de gêmeos) estavam reclamando de fome. Na hora segui minha intuição, mandei que ela me acompanhasse. Escolhi um lugar, pedi que fizesse seu prato e ela sorria enquanto pegava comida. Paguei e nos sentamos juntas. Aquilo me tocou tanto que eu me fechei em mim mesma e comecei a fazer diversas reflexões sobre a vida tanto que posso até ter parecido antipática. Eu tenho problemas para resolver sim, tenho dificuldades e medos com os quais lidar mas ao menos nunca me faltou o que comer. Levo sempre umas besteirinhas pra comer durante o trabalho, se tenho fome paro em algum lugar e como algo mas nunca me faltou comida.
Conversamos um pouco. Eu não quis ser invasiva, não quis ficar perguntando demais mas agi naturalmente. Ela comeu quase tudo enquanto me contava um pouco de sua vida. Tinha uma outra filha, estava grávida, desempregada e em situação difícil. E eu me senti pequena naquele momento, pensando em como a vida muitas vezes nos ensina das formas mais difíceis. Eu caminhava tão presa em meu mundo e até sem fome enquanto outras pessoas por aí estão em situação muito pior, muito mais grave e complicada que a minha e nem por isso abaixam a cabeça. E eu quantas vezes chorei e me desesperei com meus problemas? Quantas vezes reclamei de barriga cheia? Quantas vezes achei que algumas coisas fossem o fim do mundo? Sempre tive muitas oportunidades, estudei, me formei, trabalho e tenho uma vidinha boa. Não posso reclamar de nada.
Ingrata, foi assim que me senti. Culpada, por não ser tão forte para lidar com minhas dores e problemas em tantas ocasiões. Terminamos de almoçar. Eu fiquei até o fim fazendo companhia a ela. Seria cômodo pagar e sentar sozinha ou comer e sair correndo (assim não precisaria me envolver) mas algo me dizia para não fazer isso. E foi aí que aprendi algo. No prato dela sobraram poucos restos. Restos que não formariam outra refeição ou que não matariam a fome de ninguém. Ela pediu que o garçom embrulhasse para viagem. Eu fiquei surpresa, o moço também ficou com o pedido estranho mas o encarei seriamente desde o momento em que levou o prato até a hora que voltou. Não queria que ele debochasse da situação da moça e dava para sentir certos olhares preconceituosos mas por dentro eu segurava minha enorme vontade de chorar. O que eu consideraria restos ela ainda considerava uma refeição tal a sua carência por comida.
Nos despedimos, ela agradeceu muito. E cada uma foi para seu lado. Assim que virei as costas, desabei a chorar. Voltei caminhando para o trabalho mas chorando. Porque a vida tem que ser assim? Porque eu reclamo tanto? Porque as coisas às vezes parecem tão dificeis? Porque a vida é tão cruel com algumas pessoas. Fiquei com pena da moça. Cheguei no trabalho com os olhos vermelhos mas e daí? Como contar para alguém ou explicar o que tinha acontecido? Entenderiam a profundidade ou me achariam louca? Eu sei que naquele momento de choque entre realidades tão diferentes eu levei um tapa na cara da vida. Um tapa dizendo: Acorda! Você é feliz! Enxergue as dores alheias! Valorize o que tem!
Ainda chorei ao longo do dia e durante a noite. Sequer sei o nome dela mas ontem almocei com uma desconhecida. E no fim, quem ajudou quem?
Obs.1: Segui o coração naquele momento e ainda lembro do sorriso dela. Se tivesse me pedido dinheiro eu teria negado.
Obs.2: Estou devendo visitas mas em breve passo no cantinho de vocês!
Obs.3: É apenas uma história que aconteceu comigo. Não estou aqui para falar: olha só como sou boazinha! Ainda tenho muito a caminhar e consertar dentro de mim. Muito mesmo!
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